Autoajuda para mulheres ansiosas: trabalhando pensamentos automáticos e o excesso de cobrança
Pensamentos automáticos e padrões de autocobrança podem ser identificados e trabalhados aos poucos, com prática consistente. Isso não significa que seja possível eliminar completamente a ansiedade apenas mudando a forma de pensar, nem que essas ferramentas substituam acompanhamento profissional quando ele é indicado. Este guia apresenta técnicas de autoajuda para lidar com pensamentos sabotadores e com o excesso de cobrança que costuma acompanhar a vida de muitas mulheres.
Neste artigo você vai aprender:
- ✔ Os pensamentos sabotadores mais comuns em mulheres ansiosas
- ✔ Um método simples para questionar esses pensamentos
- ✔ Os padrões de autocobrança mais frequentes
- ✔ Como reduzir a cobrança consigo mesma, na prática
Pensamentos que costumam sabotar
Alguns pensamentos automáticos aparecem com frequência em mulheres que lidam com ansiedade: "sou uma péssima mãe" (geralmente depois de um momento de impaciência), "não estou dando conta" (mesmo fazendo mais do que a maioria conseguiria), "se eu parar, tudo desmorona", "eu deveria estar feliz, tenho tudo" (que acrescenta culpa à própria ansiedade), e "não posso reclamar, outras estão pior" (que costuma silenciar o próprio sofrimento).
Esses pensamentos tendem a parecer verdadeiros justamente porque são a própria pessoa pensando, mas costumam distorcer a realidade de forma consistente. Reconhecer esse padrão ajuda a compreender melhor a própria experiência, não a atribuir culpa por senti-lo.
Um método para questionar o pensamento automático
Quando um desses pensamentos aparecer, um exercício que costuma ajudar é responder, idealmente por escrito, a algumas perguntas: qual a evidência real de que isso é verdade? Qual a evidência contra? Qual o pior cenário possível, e seria possível atravessá-lo? Qual o cenário mais provável, não o pior? O que eu diria a uma amiga querida se ela me contasse isso de si mesma?
Manter um registro desses pensamentos ao longo de algumas semanas, junto com essas perguntas, é uma prática de reestruturação cognitiva com respaldo consistente na literatura sobre ansiedade, embora os resultados variem de pessoa para pessoa e não substituam avaliação profissional quando o quadro é mais intenso.
Praticar falar consigo mesma como falaria com uma amiga querida, e não com a voz mais crítica, é outra ferramenta que costuma ajudar com o tempo e a repetição.
O padrão da autocobrança excessiva
Mulheres competentes tendem a acumular mais responsabilidade justamente por darem conta bem das coisas, um ciclo que se retroalimenta. Alguns padrões de autocobrança costumam aparecer: perfeccionismo, hiperresponsabilidade ("se eu não fizer, ninguém faz"), necessidade de aprovação externa, dificuldade de dizer não, comparação constante com outras mulheres, e a sensação de que não é permitido estar mal.
Como reduzir a cobrança, na prática
Escolher onde ser "A+". Em vez de tentar excelência em todas as áreas da vida ao mesmo tempo, escolher conscientemente uma ou duas áreas para priorizar, e aceitar um padrão mais simples nas demais, costuma liberar energia sem significar desleixo.
Reduzir padrões conscientemente. Nem toda refeição, festa ou tarefa doméstica precisa seguir um padrão elevado. Reduzir esse padrão de forma deliberada é uma escolha, não uma falha.
Evitar comparação com redes sociais. Comparar o próprio cotidiano com a versão editada da vida de outras pessoas tende a alimentar a sensação de estar sempre atrás.
Permitir-se estar mal em alguns dias. Nem todo dia precisa ser produtivo ou positivo. Reconhecer um dia difícil, sem se julgar por isso, costuma ajudar mais do que reprimir o que se sente.
Essas práticas tendem a reduzir a intensidade da autocobrança ao longo do tempo, mas não eliminam a ansiedade por si só. Quando o quadro é mais intenso ou persistente, elas funcionam melhor como complemento ao acompanhamento profissional, não como substituto dele.
Além de compreender os próprios padrões de pensamento, muitas pessoas também se beneficiam de estratégias práticas para lidar com momentos de maior ansiedade e cuidar da saúde de forma integrada, tema do próximo guia desta série.
Perguntas frequentes
Reestruturar meus pensamentos vai fazer minha ansiedade desaparecer?
Não necessariamente. Trabalhar pensamentos automáticos costuma ajudar a reduzir parte do sofrimento associado a eles, mas não é uma cura garantida, especialmente em quadros mais intensos, que costumam se beneficiar de acompanhamento profissional.
Se eu praticar essas técnicas, não preciso mais de terapia?
Não. Essas ferramentas podem complementar o acompanhamento profissional, mas não o substituem, sobretudo quando os sintomas são persistentes ou intensos.
Reduzir minha cobrança comigo mesma significa relaxar demais e parar de me esforçar?
Não. Reduzir a autocobrança é uma escolha consciente sobre onde investir energia, diferente de deixar de se importar com o que realmente importa para você.
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Quer se aprofundar?
Este artigo apresenta o trabalho com pensamentos sabotadores e o excesso de cobrança. O livro completo traz o diário de pensamentos guiado e mais exemplos práticos.
O livro A Mulher Ansiosa, de Ana Beatriz Souza, reúne o caminho completo para entender e cuidar da própria ansiedade.
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