São José de Anchieta: o apóstolo do Brasil
Ele chegou ao Brasil aos 19 anos e nunca mais voltou à Europa. Fundou uma cidade que hoje é a maior da América do Sul, aprendeu a língua dos povos originários para pregar nela, e, segundo a tradição, escreveu na areia de uma praia um dos poemas mais longos já dedicados a Maria. Esta é a vida de José de Anchieta, jesuíta espanhol que se tornou uma das figuras fundadoras da história brasileira.
Neste artigo você vai aprender:
- ✔ Quem foi Anchieta, da chegada ao Brasil até a fundação de São Paulo
- ✔ Como a Igreja reconheceu sua santidade, por um caminho diferente dos outros santos deste livro
- ✔ A história do poema escrito na areia, durante seu cativeiro entre os Tamoios
- ✔ Como pedir a intercessão de São José de Anchieta
Quem foi São José de Anchieta
José de Anchieta y Llarena nasceu em San Cristóbal de La Laguna, na ilha de Tenerife, Espanha, em 19 de março de 1534. Aos 14 anos, entrou para a Companhia de Jesus, os jesuítas, recém-fundada por Santo Inácio de Loyola. Aos 19 anos, em 1553, foi enviado como missionário ao Brasil, e nunca mais retornou à Europa.
Trabalhou primeiro em São Vicente. Em 1554, junto com o Padre Manuel da Nóbrega, fundou no planalto paulista o Colégio de São Paulo, origem da cidade que hoje é a maior do país. Aprendeu a língua tupi e, em 1595, escreveu a primeira gramática dessa língua, contribuição considerada fundamental para a preservação do idioma original do Brasil.
Morreu em 9 de junho de 1597, em Reritiba, atual cidade de Anchieta, no Espírito Santo, aos 63 anos.
Reconhecimento pela Igreja: um caminho diferente de canonização
Diferente dos outros santos apresentados neste livro, Anchieta não foi canonizado a partir da investigação de dois milagres específicos. O Papa Francisco o canonizou em 3 de abril de 2014 por meio de uma canonização equipolente, processo em que a Igreja reconhece formalmente uma veneração já antiga, contínua e amplamente difundida ao longo dos séculos, sem exigir a investigação de um novo milagre. É uma canonização igualmente válida e definitiva, apenas por um caminho canônico diferente do processo com dois milagres seguido por Frei Galvão, Dulce e Paulina.
O poema na areia e outros sinais de sua vida
Em 1563, durante uma missão diplomática difícil, Anchieta ficou prisioneiro entre os índios tamoios por 5 meses, em Iperoig, atual Ubatuba. A tradição narra que, sem papel disponível, ele compôs na areia da praia um poema em latim em homenagem a Maria, "De Beata Virgine Dei Matre Maria", com mais de 5 mil versos, recitando-o a cada entardecer antes que a maré apagasse o que estava escrito, e retomando e ampliando a composição no dia seguinte.
A tradição também atribui a Anchieta conversões em massa de indígenas por meio de sua pregação em tupi, curas em vida e relatos de testemunhas da época sobre fenômenos extraordinários durante suas orações. Já a primeira gramática tupi, essa sim um documento histórico ainda existente, é seu legado mais concretamente verificável para a cultura brasileira.
O que sua vida ensina
A vida de Anchieta sugere que servir bem, muitas vezes, pede aprender a língua do outro, foi isso que ele fez com o tupi. Sugere também que é possível se adaptar a um contexto totalmente novo sem nunca voltar atrás, e que servir em situações de risco real, como seu cativeiro entre os tamoios, faz parte de algumas vocações. Por fim, sua vida combina contemplação e ação de um jeito raro: escrevia poemas dedicados a Maria enquanto ajudava a fundar cidades.
Como pedir a intercessão de São José de Anchieta
Uma forma tradicional de oração, associada à sua devoção, é:
"São José de Anchieta, apóstolo do Brasil, intercede pela nossa nação. Em particular pela intenção: [diga o pedido]. Que eu também sirva com tua coragem e tua arte. Amém."
Onde conhecer sua história
Quem quiser visitar os lugares ligados a Anchieta pode buscar o Santuário de Anchieta, no Espírito Santo, onde ele morreu, o Pátio do Colégio, em São Paulo, onde fundou a cidade, e o Museu Padre Anchieta, com unidades em São Paulo e no Espírito Santo.
Perguntas frequentes
A canonização de Anchieta é menos válida por não ter passado pelo processo com dois milagres?
Não. A canonização equipolente é um caminho canônico diferente, usado quando já existe uma veneração antiga e amplamente reconhecida, mas o resultado tem o mesmo valor e a mesma validade de uma canonização pelo processo tradicional.
A história do poema na areia é um fato historicamente comprovado?
É uma tradição associada ao período em que Anchieta ficou prisioneiro entre os tamoios, e o próprio poema em latim é um documento que existe até hoje. Já os detalhes sobre a forma como foi composto, dia após dia, na areia, chegam até nós pela tradição, não por registro documental direto do próprio momento.
Anchieta é considerado o fundador oficial da cidade de São Paulo?
A tradição histórica reconhece Anchieta e o Padre Manuel da Nóbrega como fundadores do Colégio de São Paulo, em 1554, origem da cidade. O guia trata essa participação como um fato bem documentado da biografia de Anchieta, não como uma devoção ou interpretação posterior.
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O livro Vidas de Santos Brasileiros, do Padre João Vicente, reúne as 6 histórias completas.
Fontes recomendadas
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